sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Evangelizar é comunicar

A Igreja existe para evangelizar. Ela anuncia, por palavras e ações, Jesus Cristo, que enche nossos corações e nos impele a evangelizar. Jesus atrai a si os homens de cada geração, convocando a Igreja a anunciar o Evangelho, com um mandato que é sempre novo. Hoje, é necessário um empenho eclesial mais convicto a favor de uma nova evangelização, para redescobrir a alegria de crer e o entusiasmo de comunicar a fé.

O caminho da comunicação na Igreja
A Igreja no Brasil vem refletindo sobre a ação evangelizadora como prática de comunicação. Exemplos: a vivência e o exercício da comunicação na vida das comunidades, nas ações pastorais dos organismos especializados e nos documentos produzidos produzidos nas últimas décadas:

Comunicação para a Verdade e Paz (Campanha da Fraternidade - 1989),

Comunicação e Igreja no Brasil (1994),

Objetivo do Diretório de Comunicação
O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil tem como objetivo motivá-la a atualizar e aprofundar os conhecimentos e referências, tanto de seus pastores quanto de seus fiéis sobre a natureza e a importância da comunicação para a vida da comunidade eclesial, nos processos de evangelização e no diálogo com a sociedade, tendo presentes as mudanças pelas quais o mundo vem passando, entre as quais se encontra o avanço acelerado das tecnologias.


O caminho da Pastoral da Comunicação
O documento é composto por dez capítulos e motiva a Igreja a ampliar suas relações com a comunidade humana, visando uma "cultura do encontro", como foi proposto pelo Papa Francisco. Um caminho já apontado pelo Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), através do Decreto Inter Mirífica (1963).

A quem se destina o Diretório?
O documento destina-se - mas não só a eles - aos responsáveis pela formulação e pela condução das práticas de comunicação nos diferentes âmbitos da vida eclesial e nas relações da Igreja com a sociedade. Os conteúdos dos diferentes capítulos servem como base para a formação de sacerdotes, religiosos e leigos que, através de uma linguagem simples e apropriada, fortaleçam a Pastoral da Comunicação em todos os seus níveis e projetos.

O momento é de mudanças
O Diretório chega no momento em que a Igreja é interpelada pelas mudanças trazidas à sociedade contemporânea pela revolução digital, tema já tratado com vigor pelo então Papa Bento XVI. A comunicação é entendida como um processo social, a serviço das relações humanas, favorecendo a comunhão e a cooperação entre as pessoas. Tanto os tradicionais meios de comunicação social quanto as novidades trazidas pelo mundo da internet devem promover uma cultura de respeito, diálogo e amizade.

Educar para a comunicação
A comunicação é vista como uma prática que incide na vida das pessoas e, por isso, necessita ser objeto de reflexão pessoal. É essencial educar as novas gerações para a convivência com o mundo da comunicação. A Pastoral da Comunicação precisa ser priorizada nos planos de ação da Igreja, em todas as suas instâncias.

O foco do Diretório
O Diretório oferece uma visão orgânica de como os processos de comunicação e suas tecnologias se fazem presentes no dia a dia da sociedade contemporânea. Igualmente, lança um olhar sobre a Igreja, uma instituição complexa em sua estrutura e em suas múltiplas ações, animadas por um mesmo e grande ideal, que é a mística missionária da "Igreja 'em saída'". O Diretório aspira que todas as pessoas , setores ou organismos vinculados à Igreja não se sintam alheios ao grande plano de comunicação.

Atenção especial
Merecem atenção especial os processos comunicativos que envolvam as crianças e os jovens como membros ativos da sociedade e da Igreja. É importante adotar procedimentos educomunicativos que favoreçam às novas gerações uma aproximação dos meios e recursos da informação. A comunicação que emerge das comunidades necessita ganhar reconhecimento por parte dos pastores.

O processo da Pastoral de Comunicação
O Diretório entende a Pastoral da Comunicação como um processo dinâmico, dialógico, interativo e multidirecional. Os frutos serão colhidos com o tempo, e com a ajuda de toda a Igreja. Todas as dioceses, paróquias, pastorais, movimentos e mídias católicas podem ter o Diretório e estudá-lo (confrontando suas proposições com a realidade local e definindo os tipos de intervenções necessárias para solucionar as questões levantadas).

A comunicação é um dom a ser partilhado

Comunicação é relação; relação é comunicação (...)

A pessoa humana é movimento de ser com, estar com, isto é, está em relação; é relacionada. Ela não é isolada, estática, mas movimento de ir ao encontro de e deixar vir ao encontro. Por ser  relação com, é vir-a-ser; um con-crescer. (...)
A comunicação é uma doação, uma entrega, um dom.
Evangelizar é comunicar a boa nova. (...)
O "fazer chegar ao coração do outro o que está no meu" pode ser expresso de múltiplas formas, meios.(...)
Existe um verdadeiro entusiasmo com os novos meios de comunicação, especialmente o digital.
E, o secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich, na sua apresentação ao Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, lança esta pergunta: "é possível estabelecer uma relação com a 'Palavra que habita entre nós' e com aqueles que vivem da Palavra?"
Este espaço quer nos ajudar na reflexão e concretização da Pastoral da Comunicação em nossas comunidades e grupos.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

PASCOM - O que é? Como organizar?

PASCOM – O que é?

Do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil – documentos da CNBB - 99

1) colocar-se a serviço de todas as pastorais para dinamizar suas ações comunicativas;
2) promover o diálogo e a comunhão das diversas pastorais;
3) capacitar os agentes de todas as pastorais na área da comunicação, especialmente a catequese e a liturgia;
 4) favorecer o diálogo entre a Igreja e os meios de comunicação;
5) envolver os profissionais e pesquisadores da comunicação nas reflexões da Igreja e
6) desenvolver as áreas da comunicação, como a imprensa, a publicidade e as relações públicas.

Eixos da Pascom
249. A Pascom não se limita a ações isoladas, como a produção de murais, boletins e jornais impressos, programas de TV e rádio, construção de sites, blogs e outros meios. Tudo isso deve fazer parte de uma política global que gere comunhão e interatividade, alicerçada em quatro eixos: 1) formação, 2) articulação, 3) produção e 4) espiritualidade, que são dimensões do projeto nacional da Pascom.

1) Formação
250. A formação tem por objetivo a qualificação das lideranças e agentes de pastoral para que desenvolvam e executem projetos teoricamente embasados, tecnicamente atualizados e eticamente comprometidos. Um dos aspectos da formação são os cursos de comunicação na catequese, na liturgia e nas demais pastorais.

2) Articulação
251. A articulação se propõe a animar e envolver os agentes culturais e pastorais para que conheçam e se comprometam com ações concretas e integradas com os processos e meios de comunicação para o anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo.
Outro aspecto da articulação consiste na realização de mutirões nacionais e regionais de comunicação e outras iniciativas
que visam fortalecer a comunhão e o engajamento nas ações comunicativas.

3) Produção
252. No que diz respeito à produção, é necessário destacar que esse eixo está voltado para a elaboração de materiais, como: subsídios de textos impressos e digitais, áudios e vídeos que deem sustentação ao trabalho cotidiano dos agentes da Pascom, cada vez mais desafiados perante as rápidas mudanças culturais.
4) Espiritualidade
253. A espiritualidade constitui o alicerce de todos os eixos citados anteriormente. Sem a prática e a vivência da espiritualidade, o comunicador esvazia-se, fragiliza-se como sujeito e torna-se vulnerável às dificuldades que se apresentam ao longo do caminho. É fundamental que se cultive a espiritualidade do comunicador mediante retiros,
"leitura orante" na ótica da comunicação, reflexões sobre os documentos da Igreja no campo da comunicação, e que o comunicador se alimente da Palavra de Deus e da Eucaristia.

  Organização e articulação da Pascom

259. Para ser eficaz e abrangente, a Pascom se organiza em diferentes níveis: nacional, regional, diocesano e paroquial/comunitário.

1) Pascom em âmbito nacional
260. A Pascom, como estrutura organizada em âmbito nacional, se articula a partir da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, em comunhão com os bispos referenciais e com os coordenadores regionais. Suas ações realizam-se por meio da implementação dos eixos já referenciados: formação, articulação, produção, espiritualidade.

2) Pascom em âmbito regional
261. No âmbito regional da CNBB, a Pascom se organiza de maneira participativa e dialógica para articular as atividades comunicativas em sua área de atuação. O regional conta com um bispo referencial e um coordenador regional da Pascom, que articulam a comunicação em sintonia com os coordenadores diocesanos e outras atividades relativas à comunicação. A coordenação reúne-se periodicamente para avaliar e planejar o conjunto das ações da comunicação.

3) Pascom no âmbito diocesano
262. As atividades da comunicação na diocese operam segundo a lógica de funcionamento da coordenação nacional e regional, com base no diálogo, na colaboração e sua participação mútua de experiências. Têm em sua estrutura o bispo diocesano como referencial da comunicação, um coordenador diocesano da Pascom e um representante de cada paróquia.

4) Pascom em âmbito paroquial/comunitário
263. A paróquia, como comunidade, é o espaço privilegiado para o encontro das pessoas e a formação para a comunicação.
Nela, reflete-se o cotidiano da vida dos cristãos, com suas angústias e esperanças, em que se abrem inúmeras  possibilidades de participação e criatividade, especialmente para os jovens. A paróquia constitui-se como o lugar por excelência de atuação da Pascom.

Vicariatos para a Comunicação
264. Cada diocese, considerando o apelo da Igreja à valorização da cultura e a importância da comunicação na atividade eclesial, poderá, a partir de seu bispo e conselho pastoral, criar e fortalecer a estrutura de um Vicariato episcopal para a Comunicação Social. Dentro e fora da Igreja, o Vicariato para a Comunicação Social é convidado a promover reflexões sobre as estratégias comunicativas e de linguagem, em uma adaptação ao local e aos costumes.
265. A criação dos vicariatos para a comunicação se justifica pela capilaridade territorial de algumas dioceses e da profusão de meios e processos da comunicação. É de suma importância que os vicariatos de comunicação se organizem conforme a estrutura da Pascom, que está delineada nos âmbitos nacional, regional, diocesano e paroquial.
Assessoria de imprensa
266. No âmbito nacional, regional e diocesano, a Igreja precisa contar com uma estrutura de assessoria de imprensa qualificada. Deve ser gerida por um profissional da área com capacidade de relações com a imprensa, capaz de administrar as eventuais situações problemáticas que poderão apresentar-se no contexto da Igreja e que seja intuitivo nadivulgação de eventos importantes com repercussão na sociedade.
267. Em alguns regionais, dioceses e paróquias, o assessor de imprensa é contratado exclusivamente para desenvolver atividades técnicas, tais como: a criação, produção e alimentação de sites, blogs, mídias digitais, jornais, revistas e boletins impressos. É imprescindível que, nas instâncias onde não existe uma equipe da Pascom, o bispo nomeie umcoordenador diocesano e uma equipe que articulem e animem as atividades da comunicação na Igreja local.
Equipes de reflexão da comunicação
268. As equipes de reflexão de comunicação, tanto no âmbito regional e diocesano, são constituídas por pesquisadores e profissionais da área, a fim de contribuírem para a reflexão sobre a comunicação no campo teórico-prático, cultural e das políticas de comunicação. Os membros da equipe são convidados pelos bispos, cuja nomeação é de quatro anos, podendo ser reconduzidos.

PASCOM – Como?
Planejamento de comunicação
269. É importante que cada Conferência Episcopal e cada diocese elabore um plano pastoral completo de comunicação. O Aetatis Novae sugere que a ótica da comunicação perpasse toda a ação evangelizadora da Igreja. As diretrizes aqui apresentadas só poderão ser executadas mediante a elaboração de um planejamento sistemático.
270. Uma vez delineadas as principais ações do planejamento, deve-se elaborar um projeto que corresponda às necessidades locais. A elaboração de um projeto deve contar com uma equipe qualificada e comprometida. O projeto deve ser elaborado tendo em vista cada ação, meta e objetivos a serem alcançados em curto, médio e longo prazo. Para medir a eficiência do projeto, é necessária a criação de mecanismos de avaliação capazes de monitorar o andamento das atividades.

Em grupos: 
1. O que falta à nossa PASCOM?
2. O que podemos fazer para que a PASCOM seja mais atuante na comunidade?